Entrevista Guilherme Mônaco de Mello para Folha de Piracicaba – Edição Corporativa, de 19 de agosto de 2026.
Dr. Guilherme Mônaco de Mello
Ex-procurador-geral e líder da Casa do Bom Menino, o Dr. Guilherme Mônaco de Mello destaca sua visão para o mercado corporativo, a projeção internacional do trabalho social e a centralidade da família em sua trajetória.
A trajetória do advogado Dr. Guilherme Mônaco de Mello entrelaça-se de maneira profunda com o desenvolvimento econômico, institucional e social de Piracicaba. Formado em Direito em 1982 e com uma vivência sólida no universo empresarial, ele construiu uma carreira pautada pela visão preventiva e estratégica do mercado corporativo, aliando a técnica jurídica à compreensão prática de quem empreende e gera empregos. Essa atuação multidisciplinar desdobrou-se também no serviço público, destacando-se sua passagem pela Procuradoria-Geral do Município entre 2022 e 2024, período em que priorizou o diálogo, a legalidade e a eficiência administrativa em favor do interesse coletivo.
Contudo, é na vocação comunitária que sua jornada ganha contornos ainda mais tocantes. À frente de repetidos mandatos na presidência da Casa do Bom Menino, Dr. Guilherme dedica anos de trabalho ao acolhimento e à garantia de direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Esse compromisso com o próximo ultrapassou as fronteiras locais e tornou-se capítulo de projeção internacional na obra “Direitos humanos, meio ambiente e ecumenismo: estudos em homenagem ao legado do Papa Francisco”, escrita em parceria com o promotor Dr. Paulo Kishi, registrando o impacto da instituição piracicabana no combate à “cultura do descarte”.
Apesar dos títulos, do prestígio profissional e da participação em diferentes frentes da sociedade civil, o centro de gravidade de sua vida permanece no ambiente doméstico. Na união de mais de quatro décadas com a esposa Kitty, na sociedade profissional com o filho Guilherme, na dedicação da filha Marcela e na alegria multiplicada pela chegada das netas Bella, Maitê e Bernardo, Dr. Guilherme enxerga sua realização mais genuína. Para ele, cargos e honrarias cumprem seus papéis no tempo, mas são a ética, a solidariedade e o amor cultivado em família que edificam um legado verdadeiramente duradouro.
Nesta entrevista exclusiva à Folha de Piracicaba – Edição Corporativa, o Dr. Guilherme Mônaco de Mello compartilha sua visão sobre o futuro do Direito, os desafios da gestão social e os laços de uma vida dedicada à ética, à família e ao desenvolvimento da nossa região.
“Direito, gestão e propósito: a história de conquistas e dedicação comunitária”
Formado em Direito há mais de quatro décadas, com experiência também no setor empresarial e na gestão pública, como avalia a evolução do mercado jurídico em Piracicaba e o papel da advocacia empresarial no desenvolvimento da região?
Formei-me em Direito em 1982, mas minha trajetória passou também, por muitos anos, pelo mundo empresarial. Se em 2002 decidi me dedicar exclusivamente à advocacia. Não vejo esse caminho como um desvio: foi ali que aprendi a enxergar o Direito também pelos olhos de quem empreende, investe, gera empregos e precisa decidir sob pressão.
Nessas décadas, o mercado jurídico de Piracicaba mudou profundamente, acompanhando o crescimento da cidade, a diversificação de sua economia e a profissionalização das empresas. As relações ficaram mais complexas, e a advocacia precisou amadurecer junto.
Hoje, no ambiente empresarial, o advogado não pode se limitar a agir quando o problema já surgiu. Seu papel é cada vez mais preventivo: participar da estruturação dos negócios, identificar riscos com antecedência e dar ao empresário a segurança jurídica de que ele precisa para decidir.
Piracicaba tem uma economia forte, diversificada, com grande capacidade de expansão. Uma advocacia empresarial preparada faz parte desse cenário, porque quem investe precisa de segurança, e o Direito tem papel direto na construção desse ambiente.
O senhor esteve à frente da Procuradoria-Geral do Município de Piracicaba entre 2022 e 2024. Quais foram os maiores desafios jurídicos e de gestão à frente do órgão durante esse período?
Foi um período de grande aprendizado e de responsabilidade muito alta. O principal desafio foi conciliar a segurança jurídica que a Administração Pública exige com a agilidade que uma cidade do porte de Piracicaba cobra no dia a dia.
A Procuradoria atravessa praticamente todas as áreas da Administração: questões tributárias, administrativas, contratuais, urbanísticas, ambientais, trabalhistas e judiciais, muitas com grande repercussão para o Município. Não basta conhecimento jurídico: é preciso saber gerir, dialogar e entender a realidade de quem está do outro lado da mesa.
Procurei, sempre, preservar a independência técnica dos procuradores e o caráter institucional do órgão. Uma Procuradoria não existe para justificar decisões já tomadas: existe para orientar a Administração a decidir dentro da legalidade, com segurança e respeito ao interesse público.
Esse foi, aliás, o maior desafio e também o que mais me marcou: entender que uma boa advocacia pública não trava a Administração. Ela ajuda a Administração a realizar de forma juridicamente correta.
Sua formação une o Direito à Administração de Empresas, Marketing e Contratos Empresariais. De que forma essa visão multidisciplinar moldou a sua atuação no Mello Advogados e na consultoria para empresas?
Essa formação teve influência direta na minha forma de exercer a advocacia. Antes de me dedicar exclusivamente ao Direito, fui empresário por muitos anos, e isso me ensinou algo que carrego até hoje: uma empresa não se resolve só com a lei.
Quando um empresário procura o advogado, quase sempre há, por trás da questão jurídica, uma realidade econômica, comercial e, com frequência, humana. Conhecer um pouco dessas outras dimensões ajuda a enxergar o problema inteiro, e a propor soluções que sejam seguras juridicamente, mas também possíveis de aplicar no negócio.
No escritório, é assim que procuramos trabalhar, sobretudo na consultoria empresarial: não basta dizer o que a lei permite ou proíbe. É preciso entender a atividade do cliente, mapear os riscos e ajudá-lo a chegar a uma decisão que faça sentido também mais adiante.
O advogado empresarial precisa conhecer profundamente o Direito. Mas precisa, também, entender como uma empresa funciona e, sobretudo, saber ouvir quem a administra.
Em 2015, o senhor recebeu o título de Cidadão Piracicabano concedido pela Câmara Municipal. O que essa honraria representou pessoal e profissionalmente para a sua relação com a cidade?
Foi uma das homenagens que mais me emocionaram. Guardo profunda gratidão ao Dr. Luis Bellame, então vereador, que teve a iniciativa de propor o título, uma lembrança que carrego com muito carinho.
Piracicaba é a cidade onde construí minha vida profissional, constituí minha família, fiz grandes amigos e tive a oportunidade de participar de instituições e projetos voltados à comunidade. Devo muito a esta cidade, e o vínculo que criei com ela vai muito além do trabalho.
No aspecto profissional, recebi a homenagem como algo que transcende a advocacia: ao longo dos anos, procurei participar da vida da cidade também pelas instituições às quais estive ligado e pelo serviço público. Um título concedido pelo Plenário tem, por isso, um significado especial e uma responsabilidade que carrego até hoje: a de continuar retribuindo, de alguma forma, tudo o que Piracicaba me deu.
E, no fim, fica um sentimento simples: orgulho. Passei a ser oficialmente piracicabano de direito numa cidade que escolhi para viver e que, há muito tempo, já considerava minha.
O senhor acumula mandatos na presidência da Casa do Bom Menino. Como a sua experiência jurídica contribui para a gestão e a sustentabilidade de uma instituição social de tanto impacto regional?
Minha relação com a Casa do Bom Menino se estende por muitos anos, e nesse período tive a oportunidade de participar de sua gestão em diferentes momentos, inclusive assumindo a presidência algumas vezes. Isso me permitiu conhecer de perto a instituição e a responsabilidade que existe em mantê-la de pé.
A experiência jurídica ajuda bastante, porque uma instituição desse porte lida diariamente com questões trabalhistas, contratuais, administrativas e patrimoniais, além de um relacionamento constante com o Poder Público Municipal, o Judiciário, o Ministério Público e a rede de proteção. Mas o Direito, sozinho, não administra uma instituição social. É preciso gestão, planejamento, equilíbrio financeiro e, sobretudo, capacidade de articulação com a sociedade.
A Casa mantém hoje uma estrutura expressiva de acolhimento e conta com um grande número de profissionais dedicados a esse trabalho. Sustentá-la exige responsabilidade permanente com os recursos, busca constante de novas fontes de receita e parceria com o Poder Público, empresas e a sociedade civil.
Coloco minha experiência profissional a serviço dessa missão. Mas há algo que nenhuma formação substitui: saber que, por trás de cada decisão administrativa, existem crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade que dependem da instituição. Isso muda o peso de cada decisão.
Na obra “Direitos humanos, meio ambiente e ecumenismo: estudos em homenagem ao legado do Papa Francisco”, o capítulo assinado pelo senhor e pelo promotor Dr. Paulo Kishi destaca a Casa do Bom Menino. De que forma o trabalho dessa instituição se alinha com as mensagens do Papa sobre solidariedade e cuidado com o próximo?
Participar dessa obra foi motivo de grande honra. Tive o privilégio de dividir a autoria do capítulo com o Dr. Paulo Kishi e de integrar uma publicação ao lado de nomes que admiro profundamente, como o Prof. Sandro Akemi Shimada Kishi, Procurador Regional da República, e a Dra. Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida, Desembargadora Federal do TRF da 3ª Região, entre outros autores de peso.
O lançamento, em São Paulo, também trouxe momentos especiais, entre eles, conhecer o Cardeal Dom Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e o Reitor da PUC-SP Prof. Dr. Vitor Zemero Neves Junior.
Quanto à Casa do Bom Menino, vejo uma identificação clara entre o trabalho da instituição e um dos temas mais marcantes deixados pelo Papa Francisco: a necessidade de olhar para quem está em situação de maior vulnerabilidade.
Francisco falou, repetidas vezes, sobre solidariedade, fraternidade e sobre a necessidade de combater o que ele chamava de “cultura do descarte”. Para ele, solidariedade não era um gesto esporádico de generosidade, mas uma responsabilidade concreta pelo outro, especialmente pelos mais frágeis.
É exatamente isso que a Casa procura fazer todos os dias. As crianças e adolescentes que chegam até nós por determinação judicial trazem histórias muito diferentes entre si, mas têm em comum a necessidade de acolhimento, proteção, respeito e a chance de reconstruir seus caminhos. Nosso dever não é só oferecer abrigo, é buscar dignidade, educação, vínculos e condições para que eles construam o próprio futuro.
Por isso, considero especialmente significativo a presença da Casa do Bom Menino numa obra dedicada ao legado do Papa Francisco. O que ele expressou sobre fraternidade, solidariedade e cuidado com os vulneráveis é, de certa forma, o que a Casa transforma em trabalho concreto, todos os dias, dentro das suas possibilidades.
Com edições em outros idiomas, perspectiva de circulação internacional e um exemplar assinado pelos autores destinado ao Papa Leão XIV, qual é o sentimento de ver o trabalho da Casa do Bom Menino, uma instituição de Piracicaba, integrar uma obra dedicada ao legado do Papa Francisco?
É um sentimento difícil de traduzir em palavras. O que começou como o relato de um trabalho construído há muitos anos em Piracicaba passou a alcançar uma dimensão que jamais imaginamos.
A obra ganhou edição em italiano e terá também versão em inglês, ampliando sua circulação. Há ainda a perspectiva de que chegue a instituições católicas de ensino desse país. E existe um simbolismo especial: assinamos um exemplar que será entregue ao Papa Leão XIV. Para quem participou da obra, e sobretudo para todos ligados à Casa, é algo que marca.
Mas o que mais me toca é perceber que não estamos levando para fora o nome de uma pessoa. Estamos levando a história de uma instituição de Piracicaba, construída ao longo de muitos anos por dirigentes, funcionários, profissionais, voluntários e parceiros: por todos os que ajudaram e continuam ajudando a Casa a existir.
Ver essa história registrada numa obra dedicada ao legado do Papa Francisco, e saber que pode chegar às mãos de seu sucessor, dá a tudo isso um significado ainda maior. É uma forma de mostrar que valores como solidariedade, fraternidade e cuidado com os mais vulneráveis também nascem e se sustentam a partir de uma instituição da nossa cidade.
Para mim, fica sobretudo o orgulho de ver o nome de Piracicaba e o trabalho da Casa do Bom Menino ultrapassarem fronteiras.
O livro aborda o cuidado com a “casa comum” e a responsabilidade com as futuras gerações. Como a própria empresa e o setor jurídico podem incorporar esses valores no dia a dia da governança e do ESG?
A ideia de “casa comum” obriga a pensar além do resultado imediato. As decisões que empresas e profissionais tomam hoje deixam consequências para quem vem depois.
No meio empresarial, isso precisa acontecer na prática. Confesso alguma resistência quando o ESG vira apenas discurso, relatório ou marketing. Responsabilidade social, ambiental e boa governança precisam aparecer na forma como a empresa trata seus funcionários, clientes, fornecedores, a comunidade onde está instalada e o meio ambiente.
O advogado também começa essa responsabilidade. Assessorar uma empresa não é apenas dizer se algo é permitido pela lei; muitas vezes, é alertar sobre as consequências de uma decisão e ajudar a encontrar um caminho que seja seguro e, ao mesmo tempo, responsável.
Por muito tempo pareceu que desenvolvimento econômico e responsabilidade social e ambiental estavam em lados opostos. Não vejo assim. Uma empresa precisa prosperar, evidentemente, mas pode fazer isso com responsabilidade. No fundo, cuidar da “casa comum” é pensar em que tipo de sociedade queremos deixar para nossos filhos e netos.
Sua trajetória inclui experiências na assessoria jurídica da Câmara Municipal de Rio das Pedras e na OAB de Piracicaba, inclusive na defesa das prerrogativas profissionais. Como essas diferentes vivências institucionais contribuíram para sua visão sobre o papel social do advogado?
Essas experiências me permitiram olhar a advocacia por ângulos diferentes.
Na Câmara Municipal de Rio das Pedras, onde atuei na assessoria jurídica durante alguns anos, tive contato direto com o Direito Público, com o processo legislativo e com a responsabilidade de orientar juridicamente decisões que repercutem sobre toda uma comunidade.
Na OAB de Piracicaba, presidi a Comissão de Direitos e Prerrogativas e fui depois eleito vice-presidente, na gestão da Dra. Fernanda Dal Picolo. Permaneci pouco tempo no cargo: cerca de quinze dias após a posse, assumi a Procuradoria-Geral do Município de Piracicaba e, por incompatibilidade institucional, renunciei à vice-presidência.
A atuação na defesa das prerrogativas profissionais foi particularmente marcante. Reforçou em mim algo que considero essencial: prerrogativa não é privilégio do advogado. É a garantia necessária para que ele possa defender, com independência, os direitos do cidadão.
Todas essas vivências me deixaram uma convicção que carrego comigo: a advocacia ultrapassa os interesses de cada processo ou cliente. O advogado cumpre uma função essencial à Justiça e, por isso, tem responsabilidade também com as instituições, com a legalidade e com a sociedade.
O debate sobre direitos humanos e responsabilidade social ganha cada vez mais espaço no ambiente de negócios. Na sua visão, qual é a importância de o terceiro setor trabalhar em parceria com o meio empresarial e para o desenvolvimento sustentável da cidade?
Considero essa parceria fundamental. O Poder Público tem responsabilidades que não podem ser transferidas, mas é evidente que muitos problemas sociais de uma cidade não serão enfrentados adequadamente só pelo Estado. O terceiro setor conhece de perto essas realidades e, com frequência, tem experiência e estrutura construídas ao longo de décadas.
As empresas, por sua vez, têm recursos, capacidade de gestão, inovação e uma relação direta com a comunidade onde atuam. Quando esses dois universos se aproximam com seriedade e transparência, o resultado pode ser muito relevante para a cidade.
E essa aproximação precisa ir além da doação eventual. Quando uma empresa conhece de perto uma instituição, acompanha seu trabalho e se identifica com sua missão, nasce uma parceria de verdade. Minha experiência na Casa do Bom Menino me mostrou, muitas vezes, que esse envolvimento pode valer tanto quanto o próprio recurso financeiro. Uma instituição social precisa de dinheiro para sobreviver, sim, mas precisa também de parceiros dispostos a caminhar ao seu lado.
Desenvolvimento sustentável não é só crescimento econômico. Uma cidade verdadeiramente desenvolvida gera riqueza, mas também cuida das pessoas, reduz desigualdades e cria oportunidades. Nesse processo, empresas, terceiro setor e Poder Público têm papéis diferentes, mas necessariamente complementares.
Olhando para o futuro, quais são as suas perspectivas e projetos prioritários, tanto na advocacia quanto nas ações comunitárias em Piracicaba?
Continuo com muitos projetos pela frente. Na advocacia, minha prioridade é contribuir para o crescimento e a consolidação do Mello Advogados, acompanhando as transformações profundas pelas quais a profissão está passando. A tecnologia e a inteligência artificial já mudam a forma de trabalhar, mas acredito que vão continuar sendo indispensáveis coisas que nenhuma ferramenta substitui: experiência, capacidade de julgamento, confiança e compreensão das pessoas e de seus problemas.
Considero também muito importante passar a experiência acumulada ao longo dos anos às novas gerações de profissionais. A advocacia muda, os instrumentos mudam, mas princípios como ética, responsabilidade, estudo e respeito às instituições permanecem.
Na área comunitária, meu compromisso principal segue sendo com a Casa do Bom Menino. O grande desafio é fortalecer sua sustentabilidade, ampliar parcerias e criar condições para que uma instituição com uma história tão relevante continue cumprindo sua missão no futuro, independentemente de quem esteja, um dado momento, à frente dela.
Depois de tantos anos de vida profissional e de participação em diferentes instituições, não penso em diminuir projetos. Penso em escolher melhor onde posso efetivamente contribuir. Quero continuar exercendo a advocacia, participando da vida de Piracicaba e devolvendo à cidade, pelo trabalho e pela atuação comunitária, um pouco de tudo o que ela me deu.
Por trás de uma carreira tão movimentada, existe uma história familiar muito bonita ao lado da sua esposa, filhos e netos. A sua família é um pilar forte na cidade, seja no Direito com o seu filho Guilherme, seu sócio, ou na arte com sua esposa Kitty e sua filha Marcela. Qual é o sentimento de ver a família construindo caminhos de tanto sucesso em Piracicaba? O que ela representa no centro de todas as suas conquistas?
Se eu tivesse que escolher, entre tudo o que fiz na vida, aquilo que considero minha maior realização, não teria dúvida: minha família.
Kitty é a grande pilar dessa história. Estamos juntos há mais de quatro décadas, construindo uma vida, atravessando todas as fases que um casamento tão longo naturalmente atravessa, sempre com a família no centro. Muito do que consegui realizar profissionalmente só foi possível porque, ao meu lado, havia, e há, uma mulher forte, dedicada, profundamente comprometida com nossos filhos e, hoje, com nossos netos.
Tenho orgulho dos caminhos que Guilherme e Marcela construíram. Mas meu orgulho maior está nas pessoas em que eles se tornaram. Sempre procuramos passar aos nossos filhos princípios simples, os mesmos que recebemos de nossas famílias: honestidade, caráter, respeito pelas pessoas, responsabilidade pelo que fazemos e a importância de nunca perder a humildade. Vê-los conduzir suas vidas, suas famílias e suas atividades profissionais preservando esses valores é, para mim e para a Kitty, uma realização maior do que qualquer sucesso profissional.
Ter meu filho Guilherme hoje como meu sócio na advocacia é uma experiência especial; não se trata só de dividir um escritório, mas de compartilhar uma profissão, responsabilidades e princípios. Nessa história está também a Juliana, que há muito deixou de ser simplesmente minha nora para ocupar um lugar próprio, muito especial, na nossa família. Admiro nela a maneira firme com que participa da formação de Bella e Maitê, sabendo estabelecer limites e transmitir valores sem nunca perder o carinho e a ternura de mãe. Admiro também o quanto ela é importante para o Guilherme e para a vida que os dois construíram juntos. Vê-los formando sua própria família, com amor, união e princípios, é acompanhar nossos netos crescendo nesse ambiente e motivo de uma felicidade especial.
Preciso falar também da Marcela, e falo com o coração cheio. Vê-la como mãe do Bernardo é uma das coisas mais bonitas que tenho testemunhado nos últimos anos. Ela se dedica ao filho com um amor que se percebe em cada gesto: na paciência, no colo, na forma como está sempre presente em cada fase dele, sem nunca cobrar de si mesma mais do que já entrega. Bernardo cresce cercado desse cuidado e desse ternura, e isso diz muito sobre a mulher e a mãe em que a Marcela se tornou. Tenho por ela uma admiração enorme, como pai e como avô que a vê, todos os dias, entregar-se inteira a esse papel. Do mesmo modo, ver a Marcela ao lado do Mafe, construindo uma nova dimensão à história da Kitty com a dança, através da Casa BFlow, também me emociona: ali existe uma história de família que começou há muitos anos e que agora ganha um novo capítulo.
E então chegaram Bella, Maitê e Bernardo. Eles são, sem exagero, a expressão mais pura da minha felicidade. Com os netos, entendemos melhor o sentido da continuidade de uma família. Quando olho para os três, penso menos no que conquistamos e mais no que conseguimos deixar para eles. Espero que recebam dos pais, e também de nós, os mesmos valores de honestidade, respeito, caráter, solidariedade e amor à família que procuramos preservar ao longo da vida.
Tenho orgulho da minha trajetória e sou grato pelas oportunidades que tive. Mas nenhuma conquista teria o mesmo sentido sem a minha família. Se existe um centro em torno do qual todas as outras realizações da minha vida se organizam, é ela.


